Em parceria com a FEMACO, o Siemaco Osasco realizou na última quinta-feira (07/05), o seminário “Não é drama, é norma – NR1: A saúde mental importa”, reunindo representantes de empresas, profissionais de Recursos Humanos, técnicos de segurança do trabalho e lideranças sindicais para debater as mudanças da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entram plenamente em vigor em 25 de maio de 2026, estabelecendo a obrigação de empresas incluírem formalmente os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Na abertura, o presidente do Siemaco Osasco, Assil Kraide, falou sobre a importância de compreender as transformações nas relações de trabalho. “Muitas mudanças estão por vir e precisamos aprender juntos. Precisamos retomar a nossa humanidade, perguntar como o colega está e entender que saúde mental é uma questão real”, afirmou. O evento também contou com a presença de Roberto Leme, coordenador do Grupo de Ação Sindical (GAS) da FEMACO, representando a federação.
A psicóloga Daniela Sousa, diretora social do Siemaco São Paulo, abordou a aplicação prática da NR-1 e ressaltou que saúde mental no ambiente corporativo deixou de ser tratada como questão secundária. “Saúde mental corporativa agora é risco profissional. Não estamos falando de drama, estamos falando de prevenção”, afirmou. Daniela destacou o aumento expressivo dos afastamentos por ansiedade e depressão no Brasil e reforçou que fatores como liderança despreparada, comunicação violenta, metas abusivas e ambientes tóxicos precisam ser reconhecidos como elementos de risco dentro das organizações.
Na sequência, a advogada Glédis Lúcio explicou as responsabilidades jurídicas das empresas diante da nova abordagem da NR-1, enfatizando que a prevenção precisa ser concreta e documentada. “A NR-1 obriga prevenção, e quando é cumprida, serve como defesa. Se não houve gestão, cresce a presunção de negligência”, alertou. Durante a palestra, Glédis explicou que riscos psicossociais como assédio moral, jornadas excessivas, metas abusivas e clima organizacional tóxico devem integrar formalmente o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), sob pena de gerar ações trabalhistas, multas, danos morais e até responsabilizações coletivas.
Encerrando a programação, a jornalista e comunicóloga Renata Ketendjian apresentou o painel “Desvendando as Bets: Informar para proteger”, trazendo à discussão os impactos do avanço das apostas online sobre trabalhadores e empresas. “Apesar de o vício em apostas não nascer dentro da empresa, ele impacta saúde emocional, produtividade, relações familiares e o ambiente de trabalho”, destacou. Ao relacionar o tema à NR-1, Renata explicou que, embora as bets não sejam um risco ocupacional originado diretamente no ambiente laboral, seus efeitos psicossociais podem afetar significativamente o trabalhador, exigindo ações preventivas, informação e conscientização como parte de uma estratégia mais ampla de proteção à saúde mental.



















